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CILIC, Marca Brasil e participação dos meios digitais no bolo publicitário

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Nos últimos 2 meses eu tive a oportunidade de fazer uma maratona percorrendo alguns dos principais eventos relacionados a Internet em São Paulo. Tudo começou no evento CILIC 2011 realizado no Hotel Transamérica nos dias 09 e 10 de Maio de 2011. O evento contou com a participação de inúmeros palestrantes e ocorreu no formato de painéis, ou seja, em uma única sala cerca de 5 palestrantes debatiam um tema. O evento aconteceu em uma dinâmica de possuir diversos debates ocorrendo em paralelo, portanto era necessário que cada um montasse sua grade de programação de acordo com os temas que achasse relevante. O local do evento possuía cadeiras confortáveis, salas bem climatizadas e espaçadas, porém era necessário dispender um tempo na locomoção necessária para mudar do auditório do Teatro Alpha até as outras salas. Além disso, o evento não contou com o apoio de Coffee Break e o local de difícil acesso, sem muitas opções de locais para o almoço, aliado ao clima de forte garoa que encobria a bonita piscina do Hotel foi capaz de me deixar imersa em um sentimento de  intensa monotonia.

Marca Brasil

O primeiro dia iniciou com uma apresentação interessante de Kiko Farkas, responsável pela Marca Brasil. Eu não tinha conhecimento desse trabalho interessante que a Embratur está realizando para melhorar cada vez mais a imagem que o Brasil tem no exterior. Eu gostei bastante da proposta apresentada e do conceito por trás da Marca Brasil, principalmente a utilização do vermelho que simboliza a alegria do povo brasileiro. Minha única observação fica para o principal conceito, que é a representação da sinuosidade do caráter do povo Brasileiro, que segundo apresentando no conceito, mostra o caráter de um povo flexível e também bastante diversificado culturalmente. Porém, eu não consigo deixar de pensar naquele famoso “jeitinho brasileiro” que para mim não é uma qualidade, mas sim, um defeito, pois é este famoso “jeitinho brasileiro” que “fabrica” os políticos que temos, entre outros problemas que encontramos no Brasil.

O primeiro dia encerrou-se com debates cujo o objetivo central era contextualizar algumas áreas da comunicação no ambiente global atual no qual o Brasil está inserido. Particularmente eu senti falta de slides de apresentação para direcionar melhor o debate e situar os participantes acerca dos pontos principais das discussões.

Outro dia, estava ouvindo um podcast muito interessante da Talk, a respeito do evento Social Media Brasil e CIRS2 e um dos questionamentos feitos durante o podcast foi justamente sobre o despreparo que muitos palestrantes tem na hora de palestrar ou debater em um evento. E quando falamos deste despreparo não estamos falando sobre o desconhecimento deste palestrante sobre o assunto, mas sim, sobre o público-alvo daquele evento e sobre o que é ou o que não é interessante ser dito. No geral, o palestrante domina muito bem o assunto, porém se este conteúdo não for trabalhado e adaptado para aquele público-alvo pode prejudicar a imagem do próprio palestrante e do evento também. Não conseguir acessar Internet e ver palestrante despreparado são coisas #fail que vemos infelizmente, na maioria dos eventos. No caso do despreparo, percebo que a culpa é do evento e do palestrante. Muitos eventos não passam ao palestrante mais informações a respeito do público esperado e muitos palestrantes não se dão ao trabalho de pesquisar na Internet o perfil do público. Com a lista em mãos, é possível que estes palestrantes possam acessar o perfil da maioria dos participantes e então adequar seu material para o perfil de cada evento. Em relação à Internet, começo a pensar que o problema é mais embaixo, ou seja, o problema é da falta de infra-estrutura do país. A tecnologia avança rapidamente, mas hoje por exemplo, eu não consigo utilizar meu celular TIM dentro da minha própria casa, pois simplesmente não pega sinal. Do que adianta estarmos na “era da informação”, na “era mobile” se nem rede temos para fazer uma ligação?

Mas voltando ao que importa, queria dizer que no Cilic não foi diferente. Percebi que quase todos os palestrantes (e não eram poucos) apenas devaneavam em cima dos temas propostos e por conta disto tivemos debates superficiais em cima dos temas que poderiam ter sido melhor explorados. Para mim o destaque ficou para duas mesas específicas chamadas de Internet + Brasil I e Internet + Brasil II. André Zimmermann, diretor geral da Havas Digital Brasil , Abel Reis, Presidente e COO da Agência Click Renato de Paula, diretor geral da OgilvyOne para América Latina, debateram sobre um tema polêmico: “Será que as agências chamadas tradicionais impedem o crescimento do Marketing Digital?”. A minha resposta para a pergunta é “sim” e respondo desta forma, pela percepção que tenho do mercado ao longo do desenvolvimento da minha carreira como publicitária.  De fato o departamento online sempre foi uma “pedra nos sapatos” das grandes agências tradicionais. Em meados 1999, antes da famosa bolha digital explodir eu trabalhava em uma grande agência tradicional internacional no departamento online e este departamento era totalmente excluso do resto da agência como se fizéssemos parte de outro mundo, mesmo que trabalhássemos para o mesmo cliente. Depois da bolha, o problema se tornou ainda pior, pois a maioria das agências se desfizeram e extinguiram seus “núcleos digitais” que foram sendo refeitos aos poucos nos anos seguintes.  Atualmente percebo que o “núcleo digital” continua pequeno e sem voz ativa dentro destas grandes agências e o “online” continua sendo visto como algo separado da comunicação chamada “offline”. Porém ao meu ver, não existe mais esse lance de “offline” e “online”. A comunicação e as soluções apresentadas para o cliente tem que ser vistas como algo uníssono que faz parte de um mesmo objetivo. É claro que cada meio tem suas particularidades, mas assim como a TV e o Rádio tem suas particularidades e ambos são colocados no mesmo pacote,  porque não é possível com a Internet?

Além disso, essas agências já estão acostumadas a “papar” bolos recheados de dinheiro fazendo uma propaganda na TV com “receitas prontas”. A Internet é uma mídia repleta de particularidades e receitas prontas não costumam funcionar. Muitas estratégias precisam ser ajustadas ao longo do processo e projetos podem demorar bastante tempo para repercutir resultado, que não é o caso da TV por exemplo, que é uma mídia que dá resultados imediatos. O que é mais fácil?  “Papar” um bolo de dinheiro fazendo a mesma receita de propaganda que leva apenas dias para ser executada ou ficar “quebrando a cabeça” bolando uma estratégia digital simples porém eficaz? Se os clientes tem medo do digital, as agências também tem.

Enquanto isso a Internet fica com apenas 4% do bolo de faturamento de publicidade segundo pesquisa realizada pela PricewaterhouseCoopers.

Bom galera, falei de Cilic, Marca Brasil, despreparo dos palestrantes, falta de infra-estrutura nos eventos e como as grandes agências tradicionais encaram as mídias digitais, espero que vocês tenham gostado dessa “mistureba” de vários assuntos e depois eu volto para contar o que rolou nos eventos ProXXima, EMMBrasil 2011, Encontro Locaweb e EDTED.

 

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