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Sistema informacional e diferenças entre o sistema industrial

  |   Papo Cabeça, Papo de Publicitário   |   3 Comentários

sistema_informacional

Para uma melhor elucidação do artigo abaixo eu recomendo a leitura de Sociedade em Rede de Manuel Casttels.


A história de nossas vidas no geral é estável, pontuadas por situações de extremas mudanças das quais surgem para que escolhas sejam feitas, decisões sejam tomadas e novos caminhos apontem no horizonte.

Não é diferente com a história da vida, e atualmente estamos vivendo um destes raros momentos na história que nos permite vivenciar a concepção do paradigma tecnológico baseado na tecnologia da informação.

Para entender a idéia central que relaciona a sociedade à tecnologia da informação é necessário entender alguns conceitos que a fundamentam. Inicialmente, devemos falar que diferentemente da revolução industrial, onde havia uma centralidade de informações, neste momento temos a aplicação prática da informação, ou seja, existe um ciclo de realimentação cumulativo entre a inovação e seu uso que pode ser interpretado também como a reconfiguração das aplicações, onde os usuários aprendem a tecnologia fazendo. Com isto temos um rápido desenvolvimento que resulta no usuário assumindo o controle das tecnologias, onde o termo “usuário” e “criador” se misturam.

Um exemplo claro e atual disto é a WEB 2.0, termo utilizado para difundir a produção de novas aplicações e conteúdos pelos próprios usuários da Internet utilizando a própria Internet como ferramenta.

Outro conceito importante da qual devemos entender é que a tecnologia da informação é caracterizada pela aplicação imediata da qual permite que a mesma difunda-se pelo globo terrestre na velocidade da luz. Em menos de duas décadas podemos acompanhar um crescimento da qual podemos considerar que a tecnologia da informação é global, apesar de algumas regiões ainda não estarem conectadas no sistema, uma vez que para tal envolve outros fatores como os político-sociais da qual gostaria de falar posteriormente.

Neste cenário podemos analisar uma nova economia que possui características como: informacional, global e em rede. Ela é informacional, pois as empresas dependem exclusivamente de sua capacidade em gerar, possuir e aplicar de forma eficiente a informação e só assim elas tornam-se produtivas e por conseqüências competitivas. É global, pois os órgãos da empresa, como o próprio trabalho, matéria-prima, empregados, estão distribuídos de forma global. É em rede, pois no momento em que ela é global, existe uma grande integração empresarial.

Desta forma conseguimos analisar claramente que esta nova economia tem características fundamentais baseadas nas características principais da tecnologia da informação.

A tecnologia da informação teve como berço os Estados Unidos, principalmente na Califórnia na década de 70. A partir de então, alguns estudos sobre o aumento da produtividade baseado nesta nova economia foram realizados por estudiosos do mundo todo, da qual posso citar Manuel Casttels, autor do livro a Sociedade em Rede, da qual muitas informações deste artigo foram extraídas de leituras realizadas.

Manuel, justifica a ausência de produtividade entre 70 e 90, pois existe um tempo necessário para que os efeitos da nova economia surjam. Ele também faz críticas aos parâmetros utilizados para medir o índice de produtividade nas empresas, índices das quais se baseiam muitos estudiosos céticos que contestam a relação entre a tecnologia e o aumento da produtividade.

No contexto da nova economia, as empresas não se baseiam na produtividade em si, mas na lucratividade e no aumento do valor das suas ações. A lucratividade e competitividade são os verdadeiros determinantes da inovação tecnológica e do crescimento da produtividade.

Definitivamente esse paradigma mudou o escopo e a dinâmica da economia industrial, criando uma economia global e promovendo uma nova onda de concorrência entre os próprios agentes econômicos. Essa nova concorrência conduziu a transformações tecnológicas substanciais de processos e produtos que tornaram algumas empresas, setores e áreas mais produtivos. Contudo, houve também uma destruição em vários segmentos da economia, o que resulta em vantagens e desvantagens para o progresso econômico em primeiro momento. Assim como na economia industrial foi necessário o surgimento de uma cultura industrial o mesmo acontece com o surgimento de uma cultura informacional.

Embora a economia industrial seja distinta da economia informacional a lógica não se opõe a primeira, onde a primeira engloba a segunda, pois senão estaria fadada ao fracasso. Em sumo, o que muda não é o tipo de atividade realizada pelo ser humano, mas sim sua capacidade tecnológica de utilizar nossa capacidade de processar símbolos.

Resumindo, as diferenças substanciais entre os sistemas industrial e informacional são:

– Utilização da informação de forma diferente. O sistema informacional permite a reconfiguração das aplicações, onde usuário e criador se misturam. Já no sistema industrial a informação não é a principal matéria-prima, neste caso seria a energia;

-Rápida difusão entre o globo, o que torna a economia informacional global e em rede. O crescimento da economia industrial aconteceu de forma desigual e de modo mais lento;

– Na economia informacional o lucro é baseado na lucratividade e competitividade e não na produtividade em si, pois a mesma é conseqüência dos fatores citados acima. Para a economia informacional, a competitividade acontece de forma natural, entre os próprios agentes econômicos. A economia também mudou a forma que a bolsa de valores atua, onde hoje é possível que existam relações diretas entre os investidores e mercados de títulos, o que faz com que os custos de transações sejam reduzidos em até 50%, o que atraí cada vez mais investidores. Além disto, o valor das empresas não está mais associado ao seu lucro. Muitas empresas de Internet, por exemplo, tem alto valor na bolsa de valores, mas não necessariamente lucro, como por exemplo, o site de relacionamentos, o Orkut. Essa valorização acontece pela confiança e expectativas que os investidores têm nessas empresas. Essa geração de valor é sem dúvida a essência do produto financeiro.

3 Comentários
  • Valdemar Jr | jul 8, 2009 at 0:00

    Parabéns pelo post, muito interessante e o site também. Vou assinar o feeds para acompanhar sempre. Cheguei nele através do site http://www.bents.com.br. Muito bom. Parabéns

  • Daniella Borges | jul 8, 2009 at 1:44

    Obrigada Valdemar. Meu intuito é publicar aqui posts sobre diversos assuntos. Espero que os mesmos interessem à você :).

  • Buy Facebook Fans | nov 12, 2010 at 20:54

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